Senti uma vontade muito grande de falar dos sonhos e como as pessoas se agarram a eles. Hoje o meu dia foi de sonhos, não os meus. Sonhos de pessoas que há um dia atrás eram desconhecidas, e agora insistem não sairem da minha cabeça.
Os rostos com expressões triste e felizes marcavam as etapas superadas para a conquista de algo tão desejado. O que são os sonhos? O sentido da vida. Sonhar é acreditar que algo pode ser mudado, e que as coisas acontecem como um grande círculo. Nada é para sempre, tudo é efêmero. O sonho é a base em que nos agarramos para conquistar algo.
Não tenho medo em dizer que sou uma sonhadora. Agarro-me nos sonhos, pois neles encontro o sentido da vida.
sábado, 27 de novembro de 2010
terça-feira, 16 de novembro de 2010
A culpa é do estrategista
Qual mulher resiste à liquidação? Além de consumir parece um telefone sem fio. Espalha para as suas companheiras os produtos em liquidação. O estabelecimento vira uma confusão de mulheres a procura dos produtos em liquidação.
Barulho de música natalina. Crianças correndo na seção de brinquedos. Mulheres a procura dos menores preços. É nesse cenário que começa o calvário. A fila dá três voltas antes de chegar ao caixa.
As mercadorias são pensadas pelo estrategista para conduzir os clientes a consumirem os produtos disponibilizados durante o trajeto do caixa. Bebidas, guloseimas, chocolate, e petiscos são os produtos preferidos do estrategista.
As tentações ficam expostas aos seus olhos. Enquanto isso, a fila anda lentamente. O calvário parece não ter fim. A fome começa a fazer parte desse espaço. E o psicológico já não resiste com rigidez.
Você já está no seu limite, quase comprando aquelas coisas deliciosas, e se depara com as propagandas. O estrategista parece ter feito todo o percurso e percebeu que as propagandas é uma arma poderosa para convencer. E principalmente quando as frases estão no imperativo. Esta na metade do percurso e aparece a frase bem legível: “Duvido você resistir”. Começa agora uma luta psicológica.
Tenta desviar o olhar, mas não consegue só vê aquela propaganda e um monte de chocolate embaixo. Tudo é cronometrado pelo estrategista. O seu psicológico está por um fio, e a fila não anda. Ele pensa em cada detalhe do calvário. Corredores entupidos de chocolate, bebidas e comidas deliciosas. Até a geladeira fica com a porta para dentro do corredor, e pior, com bebidas geladas.
Prestes a chegar ao caixa. Conseguiu cumprir todo o trajeto. Superou todas as tentações. O estrategista em algum lugar abre o sorriso. O cliente chegou ao ponto crítico, pensa que resistiu a tudo quando na verdade deixa a sua arma fatal para o fim. Elas chegam até as revistas de novela. Começam a folhear desesperadas para saber alguma novidade sobre os famosos. Mas a revista que mais interessa está lacrada. A alternativa é levar para casa.
Trabalho cumprido. O estrategista está satisfeito. E as mulheres que vão ao supermercado para comprar alguns itens, acabam extrapolando na sua lista de compras. E não precisou perder tempo procurando os produtos. Estavam bem ali ao alcance de todos.
E quando o marido reclamar no fim do mês, pode dizer que a culpa é do estrategista.
segunda-feira, 15 de novembro de 2010
A sacoleira de desculpas
As mesas arrumadas lado a lado com seus respectivos computadores. A platéia chega logo cedo. A desculpeira é sempre a última a chegar. O palco está pronto para sua atuação. Ela sempre chega afoita. Empurra a porta com rapidez e vai logo contanto o porquê do atraso. Sempre conta uma história mirabolante.
Com sua sacola de desculpas faz uma seleção de toda trajetória. A seleção é feita a partir da reação do público. Caso aceitem de cara a justificativa seleciona as verdes, que são as desculpas mais leves, caso contrário as cores fortes, que representam perigo e agilidade para argumentar.
A história sempre tem muita ação e vítimas. Ela sempre anda e percorre vários lugares para chegar até o trabalho. Usa de várias formas para vender o seu produto. Primeiro capricha no visual, os cabelos longos e ondulados e com maquiagem. E acredite que, mesmo andando de ônibus, ela chega impecável.
A sacoleira de desculpas tem uma boa retórica. Consegue convencer. A expressão é outra forma de confirmar o porquê do atraso. Ela gesticula e fala com eloqüência. Caminha de um lado para o outro. Tenta dar concretude ao que fala.
Depois de justificar a sua demora inicia seu trabalho. A sala fica em silêncio. Não demora muito para a sacoleira de desculpas desarmonizar o ambiente. Uma nova desculpa é preparada para sair da sacola. Começa a murmurar baixinho para que alguém pergunte o que está acontecendo. Começa a lamentar que não possa fazer o trabalho porque tem problemas no computador.
Os problemas sempre acontecem com ela. A internet não funciona, quando o trabalho está quase pronto ou acaba desligando o receptor sem querer. O ônibus sempre atrasa quando está esperando. Ela vive no mundo do ‘quase’.
Com sua sacola de desculpas percorre todos os lugares. Sempre tem justificativa para suas ausências. A sacola sempre balança para que novas desculpas possam ser produzidas. Fim de semana com muita festa no domingo. O que a sacoleira faz?Vai curtir . No dia seguinte chega ao trabalho com mais de duas horas de atraso. A desculpa sai quentinha do formo. A sacoleira afoita e com sua voz eloqüente usa seu poder de argumentação. Afirma que não acordou porque esqueceu de programar o despertador, o horário programado era o do final de semana.
Na hora da divisão do lanche nunca senti fome. Argumenta que já tomou café em casa. Ou que está sem fome. Sempre tem uma justificativa para não colaborar com as vaquinhas que são feitas para o café e o lanche.
A desculpeira nunca admite que esteja sem dinheiro para comprar ou ir a lugares. Se chamarem para ir ao cinema dar um grande discurso discordando do valor cobrado para assistir a um filme. Aprecia a pirataria .
A sacoleira de desculpas quando vai sai com os amigos de trabalho, na maioria das vezes acaba esquecendo a carteira em casa. Na hora de pagar a conta procura incansavelmente dentro da bolsa, mesmo sabendo que deixou em casa, e com a testa franzida lamenta o fato ocorrido. Simula constrangimento e repete a todo o momento que no dia seguinte vai reembolsar os colegas.
A sacoleira de desculpas está sempre com uma justificativa pronta. Antes de dormir sempre faz uma avaliação de como foi o dia. Fecha os olhos e abre a sacola para seleciona as melhores. As que possuem um maior poder de convencimento. Parece imaginar as variadas situações que poderá passar. Só essa preparação justificaria a sua retórica para lidar com o público. E assim, a desculpeira caminha com sua sacola pelo nosso cotidiano.
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